Mais dois desembargadores e três juízes capixabas investigados por venda de sentenças judiciais

Redação Gazeta Rádios e Internet

foto: Bernardo Coutinho – GZ
Tribunal de Justiça vazio na primeira sessão do Pleno após a prisão de três desembargadores 

Nos diálogos já divulgados pela imprensa, os envolvidos demonstravam que estavam desconfiados da investigação e tentavam disfarçar, usando conversas cifradas e codinomes. Em uma conversa com um colega, o advogado Pedro Celso, que está entre os presos, diz:

– Ele dobrou as forças no Tribunal, porque ele é atacado pelo papa. Mas o padre está negociando com o cardeal.

Segundo a Polícia Federal, papa seria o presidente do Tribunal, Frederico Pimentel. Padre seria o filho dele, o juiz Frederico Luís Pimentel. Cardeal seria um outro desembargador. Este, ainda segundo a Polícia Federal, não está envolvido no esquema.

Em outra conversa, a diretora de Distribuição de Processos, Barbara Sarcinelli, diz:

– Oh! No meu bolo tá “descompleto”. Tá! Meu bolo de chocolate.

Bolo, segundo o Ministério Público, é dinheiro usado no esquema.

Em outra gravação, o desembargador Josenider Varejão, outro preso, diz que recebeu dinheiro.

– Recebi R$ 20 mil hoje. Eles iam me dar sabe quanto? Os 43 que estavam faltando, aí me entregaram R$ 20 mil hoje e disseram que os 23 a semana que vem me entregam. Então… tudo bem.

Segundo a Polícia Federal, a conversa se refere ao pagamento por uma liminar que garantiu a reintegração de um prefeito afastado.

Brasília – A Operação Naufrágio deflagrada pela Polícia Federal e que apura um sistema de corretagem de sentenças no Tribunal de Justiça do ES, vai além dos sete presos já detidos na última terça-feira. Além dos desembargadores Frederico Pimentel, Elpídio José Duque e Josenider Varejão, as investigações apontariam o suposto envolvimento de outros dois desembargadores capixabas e mais três juízes neste mesmo esquema, que foi classificado pelo Ministério Público como ‘balcão de negócios’. Fontes ligadas às investigações revelaram que avançar nestas novas apurações deverá ser o próximo passo do inquérito.

foto: Reprodução TV Gazeta
O presidente afastado do TJES – um dos três desembargadores presos pela Polícia Federal

Nesta quinta-feira (11) foram encerrados, em Brasília, os depoimentos de todos os envolvidos. Os interrogatórios começaram na última quarta-feira pela manhã e se estenderam até às 22 horas do mesmo dia. Durante o primeiro dia de depoimentos, os presos se negaram a prestar informações, sob o argumento de que só falariam após os advogados terem acesso aos autos do processo. Esta seria uma das estratégias da defesa que já se articula para ingressar no Superior Tribunal de Justiça com pedido de relaxamento de prisão.

Os interrogatórios estão sendo feitos pela própria Polícia Federal em um prédio da corporação localizado próximo ao Centro de Polícia Especializada, sede da secretaria de Segurança Pública, e onde também estão detidos em um alojamento os desembargadores Frederico Pimentel, Elpídio José Duque e Josenider Varejão, além do juiz Frederico Luiz Pimentel, filho do presidente do TJ/ES.

A Polícia Federal teria sido designada pela ministra do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, para realizar as oitivas na fase do inquérito judicial. O Ministério Público também acompanha os depoimentos. Já na tarde desta quinta-feira, segundo fontes, ocorreram importantes avanços nas investigações quando alguns dos presos resolveram começar a falar e teriam caído em contradição. Três dos presos chegaram também a passar mal e tiveram que ser levados para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Depois de atendidos na unidade, que é pública, foram liberados.

Choro e recusa em comer marmitex

A noite de terça e madrugada de quarta também não foram fáceis para os detidos. As luzes do alojamento não puderam ser apagadas, por medidas de segurança, e eles passaram boa parte do tempo acordados. Fontes garantiram que além das camas e do frigobar, há também neste mesmo alojamento um aparelho de televisão, por meio do qual eles acompanham toda a repercussão do caso nos noticiários. Um dos presos também chegou a chorar, relatou uma fonte. Em virtude da fase de depoimentos, os desembargadores, juiz, advogados e a funcionária do TJ passam quase todo o dia no prédio da Polícia Federal onde são realizadas as oitivas. Lá são servidas marmitex no almoço e jantar, mas nem todos estariam aceitando a alimentação oferecida.

Este prédio da Polícia Federal, localizado na região sudoeste de Brasília, é o mesmo utilizado pelo delegado Protógenes Queiroz, durante as investigações da operação Satiagraha, que culminaram com a prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. O local é estrategicamente próximo ao Centro de Polícia Especializada, sede da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, e onde estão detidos os desembargadores Frederico Pimentel, Elpídio José Duque e Josenider Varejão, além do juiz Frederico Luiz Pimentel, filho do presidente afastado do TJ/ES.

Os outros três presos, os advogados Paulo Duque, filho do desembargador Elpídio José Duque, Pedro Celso Pereira e Bárbara Sarcinelli, estão em celas individuais na carceragem da Superintendência de Polícia Federal, no Setor Policial de Brasília, uma região mais afastada.

Mesmo após o fim da fase de depoimentos, os sete presos deverão permanecer detidos até a noite do próximo sábado, quando termina o prazo da prisão temporária de cinco dias. Informações dão conta de que já há um pedido de prorrogação da prisão, por mais cinco dias, que ainda deverá ser analisado pelo STJ. A permanência deles na prisão seria necessária, segundo revelaram fontes, para que pudessem ser periciados todos os documentos e equipamentos apreendidos durante a Operação Naufrágio. Haveria ainda muitas interceptações telefônicas, autorizadas judicialmente, para serem transcritas nos autos.

Afastamento

Nesta quinta-feira, durante a primeira sessão do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo após a prisão do presidente do órgão e de outros dois desembargadores, os colegas votaram pelo afastamento de Frederico Pimentel da presidência do TJ/ES e também pelo afastamento do filho dele, Frederico Luiz, do cargo de juiz.

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